Quase todos vêm-me como se fosse algo de outro mundo, algo
fora do normal. Todos acham-me diferente, por simplesmente não ter os mesmos
gostos que eles têm. A sociedade gosta de ditar que para seres feliz precisas
seguir um protótipo. Precisas de gostar o que a maioria gosta e de fazer o que
a maioria faz, se não o fizeres, és considerado diferente. E sinto isso na
pele. Tantas vezes as pessoas tentam dizer-me “Não podes ser assim!”. E
perguntou-me, porquê? Porquê que não posso ser como eu sou? Porquê que tenho
que ser igual aos outros? Não consigo perceber.
Não sei qual o mal de ser diferente, de ter gostos diferentes, de ter opiniões
diferentes.
Confesso que construí uma barreira invisível que mantém-me uma certa distância
dos outros, não deixo os outros entrar assim tão facilmente. Prefiro ficar
sozinha dentro da minha barreira de protecção do que deixar os outros entrar.
Isso pode ter-me afastado muito dos outros, pode ter sido isso, a razão de não
ser uma faladora nata. De não conseguir exprimir-me pela fala. Sim a minha
comunicação não é das melhores, muitas vezes pareço uma retardada a falar. Mas
verdade é que desde pequena nunca fui muito faladora, fui sempre reservada. Parece
que já está-me no sangue. E nunca gostei muito das interacções sociais, gosto
de falar com as pessoas, mas só com aquelas que fazem-me sentir à vontade e que
sei que não estão a julgar-me. Com essas pessoas falo pelos cotovelos e nunca
mais paro. Enquanto com outras, que nem sequer conheço, nem digo um piu. Isso é
umas das razões pelo que acham-me diferente.
Depois vêm os gostos, não sou aquela pessoa que gosta de sair à noite como
muitos jovens o fazem. Sou daquelas que prefere ficar em casa do que ir sair
para beber uns copos ou para conviver. E sinto-me bem assim e não sei porque
raio os outros não conseguem ver isso. Só por não gostar de álcool já sou vista
de lado e muitos querem que comece a gostar só porque sim.
Mas eu sou assim, não gosto do sabor do álcool, não gosto de café (só com leite
ou chocolate), não gosto de sair à noite e não sou uma pessoa sociável como
muitos o são. E isso faz-me parecer um bicho raro, algo do outro mundo.
Acredito que há muita gente por aí, igual a mim ou com gostos semelhantes aos
meus. Não devo ser a única ave rara.
Mas é triste que a sociedade tente mudar aquilo que nós somos.