segunda-feira, 6 de outubro de 2014

No funeral não sabia o que dizer ou fazer para confortar as pessoas. O sofrimento era tanto da parte da família que não sabia como reagir. Eu também não sou lá muito boa a interagir com pessoas e depois em momentos como estes não sei mesmo. Dizia força e coragem, mas isso são simples palavras que não confortam ninguém. É fácil dizer "é preciso muita força e coragem" mas isso não dá nenhuma das duas coisas. Por isso, a maior parte do tempo ficava no meu cantinho sem fazer nada. Não é que era fria ou coisa que o valha é que não sabia o que fazer perante tanto sofrimento. Deixava as pessoas falarem com outras e não aproximava-me. Não fazia por mal só que não sabia o que dizer ou o que poderia fazer. Podem ter-me julgado ou pensado coisas de mim. Mas não fiz por mal.

2 comentários:

  1. no funeral do meu pai eu pedi aos céus e a todos os deuses que não existem silêncio. cada palavra que os outros me diziam rasgava ainda mais o coração, pesava-me ainda mais no corpo que pouco sustento tinha. cada abraço gelava-me mais a pele, como se estivesse presa nuns braços que não eram os que eu sonhava. o dia do funeral do meu pai foi pior que o dia da morte do meu pai, posso afirmar que foi o pior dia da minha vida e todas as palavras que me disseram, os abraços que me deram, as pessoas que vi e as outras que não vi mas que estavam naquele mundo de tristeza, tudo se transformou em névoa. não vês ninguém, não ouves ninguém, a tua dor é tão grande que tu concentras-te em respirar, em dar um passo que te leve ao fim do dia mais longo da tua vida. já fui a funerais, de pessoas afastadas e de família, às de família nunca fui capaz de dizer nada, choro as palavras que tenho dentro de mim. hoje, se tiver que ir a algum, não sei o que direi. talvez me remeta ao silêncio que quis e não tive. ninguém te vai julgar.

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